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terça-feira, 18 de maio de 2010

Nossa Senhora da Boa Viagem - "uma santa como sentinela"

Ao saírmos da Baía de Jurujuba em Niterói (RJ), contornando o morro do morcêgo, pelo mar, percebemos por boreste, um pouco mais à frente, uma ilhota que possui uma construção branquinha bem no alto. Parece que fica nos observando e esperando nossa volta...  Outro dia, ao voltarmos de uma regata, nos encontramos com a tripulação do veleiro “Calamar” no clube e ouvimos do Claudio, um pouco da história da Igreja da Nossa Senhora da Boa Viagem. Fiquei bastante impressionado...Encontrei neste texto muito bem escrito, fatos interessantes a respeito de mais um personagem do passado de nossa baía tão querida. Leiam sem pressa, Luís.

“A fé e os canhões sempre andaram juntos. Muitas vezes porque os canhões troaram em nome da fé. Noutras porque o desespero e o sofrimento presentes nas batalhas acabavam invocando as forças sobrenaturais: fundar uma casa de Deus para que este socorresse os que a construíram e destruísse seus inimigos.

Com a Ilha da Boa Viagem, a história foi diferente. Antes de ser fortificação, ela foi altar. Isto: primeiro veio uma igreja, depois, bem depois, o pragmatismo militarista usou-a para assentar canhões e defender as possessões portuguesas neste outrora paraíso chamado Baía de Guanabara.

Lá pelos meados do século XVII, Diogo Carvalho de Fontoura ordenou que se construísse uma capela dedicada a Nossa Senhora da Boa Viagem. Somente por volta de 1702 o capitão-governador Luís Cesar de Menezes construiria o denominado “Forte da Barra”, em verdade umas modestas posições de artilharia que, não obstante, nessa situação privilegiada na baía, adquiriam a condição de um importante ponto de defesa, nas encarniçadas lutas por estas terras brasileiras, tão belas, tão fartas, tão cobiçadas.

Confesso que quando passo pela ilha os canhões nunca ecoam em minha memória. Não consigo pensar no alarido, na fumaceira, no cheiro da pólvora, nas imensas bolas de ferro lançadas à distância pelos canhões, ou nas que, em revide, caíam na ilha, causando destruição e morte, lá e cá, porém mantendo, milagrosamente intacta a morada de Nossa Senhora da Boa Viagem. Penso mais na ilha como baluarte de fé.

A Ilha de Boa Viagem tem mesmo vocação de altar. Um altar até para céticos e ateus. Um altar de rocha encoberta de verde, recortado contra o céu azul e eternamente plantado na direção da entrada da barra. A igrejinha branca mais parece uma bandeira, alva e imóvel, secularmente lembrando a paz.

A pequena ponte que liga a ilha ao continente, embora obra relativamente recente, integra-se perfeitamente à paisagem. É como se a Virgem, do alto desse pequeno outeiro, tivesse resolvido, séculos depois, que os passantes do calçadão moderno de hoje também devessem se irmanar com aqueles aguerridos combatentes de outrora, todos juntos num ato de fé.

Boa viagem! Gosto de pensar nessa ilha também a partir desta exclamação tão tocante. Expressão que junta saudade antecipada, esperança e desejo. Desejar boa viagem é sempre isso: conformar-se com a partida inevitável, mas superar o egoísmo e querer o melhor para quem vai de partida

Viajantes registraram que a capela erguida em louvor a Nossa Senhora da Boa Viagem era, até o final do século XIX, um local de peregrinação de pescadores e marinheiros. Aos homens das guerras de conquista, do passado remoto, juntaram-se os combatentes de outras lutas, as batalhas diárias contra os perigos do mar. E essa Nossa Senhora da ilha acolheu a todos, deu-lhes o alento baseado na fé. A modesta capela transformou-se num repositório de ex-votos, quadros e outros ícones religiosos, testemunhando a gratidão dos marujos. As paredes também transformaram-se em belos murais, igualmente eloqüentes testemunhos figurativos de crença.

Nos seus tempos áureos, a alegria, a música e a dança invadiram a pequena ilha, numa algazarra de felicidade muito diferente do fragor das batalhas. Ao invés do ruído dos canhões, o som de coros sacros ou de modinhas laicas.

Hoje, esses símbolos materiais da fé e essas ingênuas festinhas locais ficaram no passado, roídos pelo descaso, esquecidos pela desmemoriada cultura nacional, vencidos pela barulheira da comunicação de massa, ultrapassados pela modernice insensível. Mas a ilha, sua igreja e as ruínas da fortificação continuam lá, graças ao zelo admirável de meia dúzia de abnegados.

Quando passo pela ilha, muitas vezes apressado pelos compromissos do dia-a-dia, às vezes imagino uma voz, de santa ou de meu próprio desejo, a dizer com carinho:

-
Boa viagem!

Texto e fotos de J.Carino.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Construção amadora - o desejo que sobrepõe a razão, ou quase..!

Pessoal, não conheço um só velejador, principalmente os de cruzeiro, que não tenha sonhado em construir seu próprio veleiro. Os dois do Damien, Gérard e Jerôme, construiram o deles por 5 anos na dureza e na beleza da juventude, e em 1969 se soltaram do pier e rodaram o mundo por 5 anos. Bernard Moitessier o seu Joshua, Eric Tabarly os Pen Duick II, III, IV, V e VI, Sir. Knox Johnston mandou construir o seu pequeno e robusto Suahili na India e acabou ganhando o “The Sunday Times Golden Globe Race” em 1969. O Amyr Klink não para de brincar disso, é um Paratii atrás do outro, o Cabinho então nem se fala, Aleixo Belov já construiu pelo menos dois que eu saiba, veja em Veleiro Fraternidade! Ainda temos os Shurmann e tantos outros anônimos, “e ainda tão poucos”. Pô mas por qual motivo estes caras fizeram isso? É tão mais fácil comprar um usado! De um final de semana para o outro, você já pode sair navegando em seu veleiro. A resposta é complexa e devido a complexidade dos motivos não arriscarei uma aqui. A construção de uma embarcação além de requerer mais recursos do que a compra de uma usada, requer muita, mas muita coragem por parte de quem se arrisca na empreitada. Amyr, o Klink, não gosta de barcos de plástico pois “não possuem alma”, diz ele. Até concordo, em parte. Um dos principais riscos é a falta de recursos que pode ocorrer por conta de algum contratempo durante o periodo da construção. Doenças, desemprego, viagens, familia, etc. No que diz respeito a família e sendo nós Brasileiros, não tente se meter nisso se a sua não comprar esta idéia com você. Isso pode causar até separação. A construção de um veleiro tem que envolver os seus mais próximos, caso contrário a chance de dar tudo errado é muito grande. O amor que você desviar para o barco será cobrado  em casa. No entanto, não tenho idéia de como deve ser a satisfação de alguém que encosta a quilha de seu barco na água pela primeira vez! Mas estou neste assunto tão somente para falar a respeito de um camarada de coragem. O nome dele é Mauricio. Ele é o feliz proprietário do SANUK, uma casa em formato de catamarã que fica sobre as águas de Abrolhos, BA a maior parte do ano. Eu mesmo já fui passar duas temporadas nele. É incrivel como o Mauricio conseguiu tanto espaço lá dentro, aproveita tudo que pode. Como ele próprio me disse, ele possui a capacidade de formar mentalmente um desenho tridimensional do barco, o que ajuda na hora de construir o mesmo. Acho que ele tem um autoCAD cerebral, sei lá. No momento ele está com um novo projeto. Está sendo construindo em um estaleiro na Ilha da Conceição em Niterói no Rio de Janeiro, o SANUKSTAR. Um monocasco que, pasmem, com seus pouco mais de 11m leva uma motocicleta na popa em paiol próprio e tudo mais que ele descreve no site que já está no ar mas ainda em construção http://www.pesquisamar.com.br/ . Este veleiro está sendo construido para ajudar estudantes e seus orientadores na busca de respostas as suas indagações científicas a respeito do mar e seus habitantes. Sim, pois SANUKSTAR viverá por um motivo nobre, o de promover conhecimento. Certamente ficarão bem contentes quem dele se servir, até mesmo para charters de turismo eventuais. Estive no estaleiro mês passado e pude costatar de perto um pouco das soluções que o Mauricio encontrou. Parabéns prof. Pardal! Há, pode contar comigo como tripulante do SANUKSTAR caso ele tenha que subir para Caravelas, BA...Vou fazer um esforço danado!!!.  Vejam as fotos...Abrçs, Luís.