terça-feira, 8 de junho de 2010

Aula de instrução - Curso de vela a bordo do Big Rider

Fotos da navegada de instrução a bordo do Big Rider.

Belo dia de outono!!!
Nova turma em formação - venha aprender a velejar e ainda passar tardes maravilhosas!

Tel: (21) 8187-9618 (Luís Cardoso)


As fotos foram gentilmente feitas pelo amigo

Marcio - "lancha Diver"

terça-feira, 18 de maio de 2010

Nossa Senhora da Boa Viagem - "uma santa como sentinela"

Ao saírmos da Baía de Jurujuba em Niterói (RJ), contornando o morro do morcêgo, pelo mar, percebemos por boreste, um pouco mais à frente, uma ilhota que possui uma construção branquinha bem no alto. Parece que fica nos observando e esperando nossa volta...  Outro dia, ao voltarmos de uma regata, nos encontramos com a tripulação do veleiro “Calamar” no clube e ouvimos do Claudio, um pouco da história da Igreja da Nossa Senhora da Boa Viagem. Fiquei bastante impressionado...Encontrei neste texto muito bem escrito, fatos interessantes a respeito de mais um personagem do passado de nossa baía tão querida. Leiam sem pressa, Luís.

“A fé e os canhões sempre andaram juntos. Muitas vezes porque os canhões troaram em nome da fé. Noutras porque o desespero e o sofrimento presentes nas batalhas acabavam invocando as forças sobrenaturais: fundar uma casa de Deus para que este socorresse os que a construíram e destruísse seus inimigos.

Com a Ilha da Boa Viagem, a história foi diferente. Antes de ser fortificação, ela foi altar. Isto: primeiro veio uma igreja, depois, bem depois, o pragmatismo militarista usou-a para assentar canhões e defender as possessões portuguesas neste outrora paraíso chamado Baía de Guanabara.

Lá pelos meados do século XVII, Diogo Carvalho de Fontoura ordenou que se construísse uma capela dedicada a Nossa Senhora da Boa Viagem. Somente por volta de 1702 o capitão-governador Luís Cesar de Menezes construiria o denominado “Forte da Barra”, em verdade umas modestas posições de artilharia que, não obstante, nessa situação privilegiada na baía, adquiriam a condição de um importante ponto de defesa, nas encarniçadas lutas por estas terras brasileiras, tão belas, tão fartas, tão cobiçadas.

Confesso que quando passo pela ilha os canhões nunca ecoam em minha memória. Não consigo pensar no alarido, na fumaceira, no cheiro da pólvora, nas imensas bolas de ferro lançadas à distância pelos canhões, ou nas que, em revide, caíam na ilha, causando destruição e morte, lá e cá, porém mantendo, milagrosamente intacta a morada de Nossa Senhora da Boa Viagem. Penso mais na ilha como baluarte de fé.

A Ilha de Boa Viagem tem mesmo vocação de altar. Um altar até para céticos e ateus. Um altar de rocha encoberta de verde, recortado contra o céu azul e eternamente plantado na direção da entrada da barra. A igrejinha branca mais parece uma bandeira, alva e imóvel, secularmente lembrando a paz.

A pequena ponte que liga a ilha ao continente, embora obra relativamente recente, integra-se perfeitamente à paisagem. É como se a Virgem, do alto desse pequeno outeiro, tivesse resolvido, séculos depois, que os passantes do calçadão moderno de hoje também devessem se irmanar com aqueles aguerridos combatentes de outrora, todos juntos num ato de fé.

Boa viagem! Gosto de pensar nessa ilha também a partir desta exclamação tão tocante. Expressão que junta saudade antecipada, esperança e desejo. Desejar boa viagem é sempre isso: conformar-se com a partida inevitável, mas superar o egoísmo e querer o melhor para quem vai de partida

Viajantes registraram que a capela erguida em louvor a Nossa Senhora da Boa Viagem era, até o final do século XIX, um local de peregrinação de pescadores e marinheiros. Aos homens das guerras de conquista, do passado remoto, juntaram-se os combatentes de outras lutas, as batalhas diárias contra os perigos do mar. E essa Nossa Senhora da ilha acolheu a todos, deu-lhes o alento baseado na fé. A modesta capela transformou-se num repositório de ex-votos, quadros e outros ícones religiosos, testemunhando a gratidão dos marujos. As paredes também transformaram-se em belos murais, igualmente eloqüentes testemunhos figurativos de crença.

Nos seus tempos áureos, a alegria, a música e a dança invadiram a pequena ilha, numa algazarra de felicidade muito diferente do fragor das batalhas. Ao invés do ruído dos canhões, o som de coros sacros ou de modinhas laicas.

Hoje, esses símbolos materiais da fé e essas ingênuas festinhas locais ficaram no passado, roídos pelo descaso, esquecidos pela desmemoriada cultura nacional, vencidos pela barulheira da comunicação de massa, ultrapassados pela modernice insensível. Mas a ilha, sua igreja e as ruínas da fortificação continuam lá, graças ao zelo admirável de meia dúzia de abnegados.

Quando passo pela ilha, muitas vezes apressado pelos compromissos do dia-a-dia, às vezes imagino uma voz, de santa ou de meu próprio desejo, a dizer com carinho:

-
Boa viagem!

Texto e fotos de J.Carino.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Construção amadora - o desejo que sobrepõe a razão, ou quase..!

Pessoal, não conheço um só velejador, principalmente os de cruzeiro, que não tenha sonhado em construir seu próprio veleiro. Os dois do Damien, Gérard e Jerôme, construiram o deles por 5 anos na dureza e na beleza da juventude, e em 1969 se soltaram do pier e rodaram o mundo por 5 anos. Bernard Moitessier o seu Joshua, Eric Tabarly os Pen Duick II, III, IV, V e VI, Sir. Knox Johnston mandou construir o seu pequeno e robusto Suahili na India e acabou ganhando o “The Sunday Times Golden Globe Race” em 1969. O Amyr Klink não para de brincar disso, é um Paratii atrás do outro, o Cabinho então nem se fala, Aleixo Belov já construiu pelo menos dois que eu saiba, veja em Veleiro Fraternidade! Ainda temos os Shurmann e tantos outros anônimos, “e ainda tão poucos”. Pô mas por qual motivo estes caras fizeram isso? É tão mais fácil comprar um usado! De um final de semana para o outro, você já pode sair navegando em seu veleiro. A resposta é complexa e devido a complexidade dos motivos não arriscarei uma aqui. A construção de uma embarcação além de requerer mais recursos do que a compra de uma usada, requer muita, mas muita coragem por parte de quem se arrisca na empreitada. Amyr, o Klink, não gosta de barcos de plástico pois “não possuem alma”, diz ele. Até concordo, em parte. Um dos principais riscos é a falta de recursos que pode ocorrer por conta de algum contratempo durante o periodo da construção. Doenças, desemprego, viagens, familia, etc. No que diz respeito a família e sendo nós Brasileiros, não tente se meter nisso se a sua não comprar esta idéia com você. Isso pode causar até separação. A construção de um veleiro tem que envolver os seus mais próximos, caso contrário a chance de dar tudo errado é muito grande. O amor que você desviar para o barco será cobrado  em casa. No entanto, não tenho idéia de como deve ser a satisfação de alguém que encosta a quilha de seu barco na água pela primeira vez! Mas estou neste assunto tão somente para falar a respeito de um camarada de coragem. O nome dele é Mauricio. Ele é o feliz proprietário do SANUK, uma casa em formato de catamarã que fica sobre as águas de Abrolhos, BA a maior parte do ano. Eu mesmo já fui passar duas temporadas nele. É incrivel como o Mauricio conseguiu tanto espaço lá dentro, aproveita tudo que pode. Como ele próprio me disse, ele possui a capacidade de formar mentalmente um desenho tridimensional do barco, o que ajuda na hora de construir o mesmo. Acho que ele tem um autoCAD cerebral, sei lá. No momento ele está com um novo projeto. Está sendo construindo em um estaleiro na Ilha da Conceição em Niterói no Rio de Janeiro, o SANUKSTAR. Um monocasco que, pasmem, com seus pouco mais de 11m leva uma motocicleta na popa em paiol próprio e tudo mais que ele descreve no site que já está no ar mas ainda em construção http://www.pesquisamar.com.br/ . Este veleiro está sendo construido para ajudar estudantes e seus orientadores na busca de respostas as suas indagações científicas a respeito do mar e seus habitantes. Sim, pois SANUKSTAR viverá por um motivo nobre, o de promover conhecimento. Certamente ficarão bem contentes quem dele se servir, até mesmo para charters de turismo eventuais. Estive no estaleiro mês passado e pude costatar de perto um pouco das soluções que o Mauricio encontrou. Parabéns prof. Pardal! Há, pode contar comigo como tripulante do SANUKSTAR caso ele tenha que subir para Caravelas, BA...Vou fazer um esforço danado!!!.  Vejam as fotos...Abrçs, Luís.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Regata de domingo do ICB - Niterói, RJ

Primeiro Lugar !!!!! Esta tripulação aí da foto ficou em primeiro lugar na categoria Cruzeirão A!!!
Domingo passado participamos da regata "Karl Heinrich Boddener" do Iate Clube Brasileiro em Niterói - RJ.  Foi um dia lindo, na raia tinham barcos de diferentes categorias como de costume. Corremos no Enterprise, barco comandado pelo Sr. Helmut Stenger. A bóia de contra vento foi moleza pois a corrente estava a favor, estávamos de maré vazante.  Como eu sempre digo, é muito bom olharmos para o fundo da cabine ao final de uma velejada e vermos que por ali passou um furacão, sinal que a velajada foi daquelas!! Aproveito para fazer um elogio rasgado a uma pessoa que muito tem a ensinar sobre regatas, sim pois cruzeirar e regatear são coisas completamente diferentes. O Sr. Helmut é um excelente tático, qualidade que para uma pessoas aparece mais naturalmente e para outras pode não aparecer nunca. A nossa colocação foi o que menos nos importou, o melhor foi velejar em companhia de pessoas agradáveis e que adoram estar no mar. Obrigado Helmut e Ângela.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Baía da agonia


No ano passado a Comissão Olímpica Internacional, o COI esteve aqui no Rio. Legal não é? Pois bem, naquela época não existia o Blog do Big e eu não pude mostrar aos amigos o que presenciei. Pô Luís, que interessante...e daí? Explico: “VOCÊS TINHAM QUE TER VISTO O ESTADO QUE FICOU A ÁGUA DA BAÍA DA GUANABARA!” De dentro do Big Rider, na popa, olhando para os cabos que o prendem à poita do píer, quase tinhamos a visão da própria poita que fica a uns 3 metros de profundidade. Acreditem, para os parâmetros normais da água da Baía é muita transparência na superfície que por vezes não chega a um palmo!! Eu e minha filha nadamos entre os barcos, limpamos o hélice, brincamos e nos alegramos pela água limpa que estava ao nosso redor. Incrível foi que nem me passou pela cabeça que era por conta do COI. Pobre panaca. A verdade é que foram desviados rios importantes. Rios que outrora traziam vida para dentro da Baía, carreando nutrientes vindos das montanhas e que agora, depois de mal tratados e poluídos por nós, desembocam na querida baía mortos e desprezados. Só lembramos deles quando enchem e inundam regiões que não deveriam estar habitadas. Pois bem, uma semana depois que o COI foi embora TUDO voltou ao normal. Os sacos plásticos estavam de volta, o óleo derramado pelos navios e barcos de pesca estava de volta, a água marrom de aparência quase sólida estava de volta, o cheiro de esgoto estava de volta e a minha indignação nem se fala. Vejam este vídeo (feito em 2007!!!) e tentem imaginar onde foi parar o nosso dinheiro, ainda, onde vai parar o dinheiro que pegamos emprestado do exterior para as melhorias necessárias de que a nossa Baía tanto precisa. Vão parar nas cuecas destes canalhas que elegemos de tempos em tempos. Prometer a despoluição da Baía da Guanabara produz o mesmo efeito aos eleitores tal qual acabar com a violência no Rio ou a fome no Nordeste. Sonho em um dia poder velejar com meus netos em Uma Baía menos poluída. Caramba é tão linda, não nos cansamos de ver as mesmas imagens, mesmas Igrejas e Fortalezas, mesmas pedras e montanhas em sua volta e no entanto temos que ver televisores boiando, cadeiras e poltronas por todo o lugar. E estes artefatos não vieram do esgoto, vieram da falta de educação que o brasileiro aprendeu a cultivar e achar que é assim mesmo, que é normal ser porco.

A foto aí eu fiz no domingo no (JIC). Olha como fica bacana a água toda enfeitada de saquinhos multicoloridos por todos os lados, sem falar nas camisinhas de Vênus com nó na ponta, tem de todas as côres. É o mesmo local que relatei lembra? Na popa do Big, no pier do clube. Caminhamos bem... Luís.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Grandes personagens no Rio Boat Show 2010

Oi pessoal, ontem dei um pulo no Rio Boat Show que está acontecendo neste momento na Marina da Glória.
Eu estava no JIC, me preparando para ir para casa quando decidi ligar para o Luiz Sérgio e ele me disse que estava se direcionando ao salão. Tinha um convite para mim. Imprimi meus dados na náutica do clube e fui direto para lá.
Leio muito sobre TUDO que consigo referente a vela e principalmente referente a construção amadora no Brasil. Em relação a construção de barcos brasileiros nós temos uma referência que é o Sr. Roberto de Mesquita Barros o “Cabinho”. O Cabinho já escreveu vários livros sobre suas aventuras nos mares do mundo mas ele é muito mais conhecido pela sua simplicidade no trato e pelos seus exelentes projetos. A visão que o Cabinho tem de espaço é algo inacreditável. Os seus barcos são incrivelmente espaçosos, confortáveis e seguros. Não tem um velejador de cruzeiro no Brasil que não tenha sonhado em possuir um barco projetado por ele. Neste caso, facilita ter um estaleiro preparado e principalmente familiarizado com seus projetos. Isso é um problema...na verdade já foi. Existe uma pessoa no Rio que simplesmente faz o sonho tornar-se real...esta pessoa é o Sr. José Manoel Gonzales Fernandes, o Manolo. Ele é espanhol, veio para o Brasil ainda criança e trouxe com ele o DNA naval de que tanto precisamos. Seu estaleiro Sabadear é uma referência na construção de veleiros. Ele me revelou que com aproximadamente R$ 400.000,00 você pode possuir, em 4 ou 6 mêses, um veleiro incrível, um  Samoa 36 com TUDO que possa imaginar. Os Samoas são outra referência em termos de barcos seguros e confortáveis (desenhados por Cabinho). Ainda temos o Luiz Sergio, um detalhista e apaixonado velejador que com suas próprias mãos, parafuso a parafuso, construiu um robusto Samoa 35. Hoje é meu amigo e principal consultor. Pense em um problema que você possa ter com seu veleiro...pensou? Pois bem, ou o Luiz  já passou por este problema e já resolveu de maneira precisa, ou ele já pensou na solução e está só aguardando o problema surgir... Pois é, foi assim que ele me convenceu a adquirir um guincho de 1000W para o Big Rider. Já estamos antevendo aquela lestada que possa entrar no final de tarde nas cagarras... Sinceramente eu não estou mais aguentando levantar a âncora. Tenho sempre que ingerir uma cartela de Dorflex depois... E por último, eu conheci duas pessoas que só conhecia por leitura, o Hélio e sua esposa Mara do veleiro MaraCatu. Não direi nada a respeito deles, vejam o blog primoroso e tirem suas conclusões. Grandes pessoas! Saúde a todos.
PS: a foto que ilustra esta postagem foi feita de meu celular pela Elizabeth que deu um duro danado para que ficasse visível! Viva Beth!
Luís Cardoso

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Os barcos de Eric Tabarly


Le Pen Duick VI d'Eric Tabarly
Enviado por Sailingnews. - Futebol, capoeira, surfe e mais videos de esportes.

Eric Tabarly foi um homem que viveu para seus barcos. Cada um foi desenhado e construido para um tipo de regata. Inventou o lazy jack, camisinha para balão, a mesa de navegação com cardã, tanques de lastro entre outros. Venceu várias regatas em solitário fazendo diferente dos outros concorrentes, teve que otimizar as manobras de troca de velas para melhor rapidez e segurança fazendo-o mais competitivo. Sempre muito simpático e simples, capaz de feitos espetaculares, morreu em 1998 fazendo o que nasceu para fazer, velejando. Estava a bordo do barco que pertenceu a seu pai, o Pen Duick (Tentilhão-de-cabeça-preta). Todos os navegantes deveriam conhecer um pouco da vida deste francês que é um herói até hoje em seu país. Ao longo de sua vida viveu endividado por estar sempre construindo ou consertando um dos seus Pen Duicks. Muitos amigos e donos de estaleiro o ajudaram e assim fizeram parte de sua vida e a eles Tabarly era muito agradecido. Um filme sobre suas conquistas e sobre a sua vida já foi lançado, irei falar sobre ele posteriormente. Um abraço, Luís. 

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Páscoa a bordo

Olá a todos. Chegamos ontem de Niterói. Ficamos a bordo do Big Rider como sempre fazemos quando passamos nossos finais de semana no clube.Fui na sexta feira, minha esposa, filha e sobrinha não puderam ir,  foram no sábado. Como estava doido por uma velejada resolvi sair na sexta para dar uma velejada sozinho mesmo como gosto de fazer e para testar a nova vela. Eu adoro pessoas a bordo, como sempre costumo dizer, e outros já disseram antes, a felicidade só é plena quando ela é compartilhada, e é verdade, mas também é muito prazeroso velejar só. Embora não me sinta só nem um pouco. Sempre tem um atobá, um trinta réis ou um tesourão fazendo companhia. Nesta sexta, ao apontar a proa do Big Rider para a Ilha Rasa e ligar o “Magalhães”, nosso piloto automático, eu dei uma olhada em volta para ver se tinha algum cargueiro aproando para entrar na boca da barra da Baia da Guanabara, constatado que estava seguro, eu fui para a proa e fiquei sentado sobre o deck, encostado na cabine e olhando para o horizonte. Na hora comecei a ouvir os pios dos Trinta Réis que passavam sobre nós, olhei para a frente e vi ao longe a Ilha Rasa, para mim é a melhor velejada que temos aqui no Rio para ir e voltar no mesmo dia. Parti do clube ‘as 14:00h pois geralmente é quando o vento “firma”. Depois de passar ao largo da Ilha Rasa, o vento refrescou bem e aí começamos a andar a 7 nós, com o Big Rider levantando altos “bigodes”. O sol já estava ficando amarelo e pude fazer a foto dele “morrendo” por trás da Ilha Redonda. Eu não queria parar de velejar e fui indo em frente até o vento diminuir um pouco, só que já estava anoitecendo e então resolvi voltar pois a entrada na Baía ‘a noite é perigosa, entram e saem muitos cargueiros, balsas e navios de turistas, muitas vezes um atrás do outro e andam muito rápido. Como aquela área é restrita, pois existe um canal, os navios não podem desviar de nós e não temos como saber se eles nos vêem. Aconselho a não navegar na bôca da barra depois de anoitecer pois é perigoso. Cheguei ao clube e já eram 21:00h e só voltei naquele dia para poder beber uma cerveja com um grande amigo Resende que me esperava no clube pois a vontade era ficar no mar. Ainda tinha vento que depois mudara para um terral fraquinho. Era para velejar a noite toda!! No sábado as meninas chegaram e demos outra velejada, com direito a um belo arco íris. Ótimo feriado a bordo do Big Rider.


sexta-feira, 26 de março de 2010

Class one X lixo na Baía de Guanabara



Pessoal, eu ando preocupado com uma coisa que gostaria de compartilhar. Pode até ser que o que penso não tenha fundamento, afinal, eles não fariam uma corrida com estas lanchas incríveis em um local que pudesse oferecer um risco demasiado. Pelo menos penso eu. É o seguinte, nós que navegamos na Baía da Guanabara com periodicidade sabemos da quantidade de vezes que temos que desviar de: televisões, poltronas, tampas de vaso sanitário e não é raro, imensos troncos de árvore. Eu já tive que desviar de um jacaré, este que está aí na foto. De certo que estas lanchas ficam plainando quase em tempo integral, mas as rabetas dos motores ficam dentro d'água também em tempo integral e nem sempre dá para ver o artefato boiando pois muitas vezes ele fica a centímetros da superfície. No domingo, estarei vendo de dentro do Big Rider, a corrida. Tomara que eles não encontrem pela proa nada que descrevi acima, mas acho difícil. (dê sua opinião a respeito, comente esta postagem, posso estar enganado. Abrçs.)

quinta-feira, 25 de março de 2010

Farol da Ilha Rasa - Rio de Janeiro


No Rio de Janeiro (cidade), temos poucas ilhas para usarmos de destino nas nossas velejedas fora da barra. O local que vou bastante é o arquipélago das cagarras. No entanto, se dispusermos de mais tempo podemos dar um bordo até a Ilha Rasa, onde gosto mais. Fazer a volta na ilha é um passeio e tanto.
Veja o texto abaixo. O farol tem uma história muito interessante.


A ilha abriga um farol, o Farol da Ilha Rasa, mantido pela Marinha do Brasil.
A primeira notícia de que se dispõe, relativa a um auxílio à navegação instalado na ilha é anterior à Transferência da corte portuguesa para o Brasil (1808-1821), época em que, à noite, era acesa uma fogueira no ponto mais alto da ilha, pelo pessoal que ali residia para atender a essa função.
O Príncipe-regente autorizou a construção de um farol em 1812, por iniciativa da Junta de Comércio, tendo sido inaugurado apenas em 31 de julho de 1829, dado que estivera na posse de um corsário argentino nos três anos anteriores.
O farol apresenta planta quadrangular em três pavimentos e circular no topo, elevando-se a 26 metros de altura, em alvenaria com cantaria nos vértices. Originalmente iluminava a 3ª légua da barra, com altura de 441 palmos (101 metros) acima do nível do mar, podendo ser visto até à 10ª légua. Utilizava uma lente de cristal francês com 2,5 metros de diâmetro e um sistema mecânico pesando 7,5 toneladas. Esse conjunto podia ser facilmente movimentado graças a um anel de mercúrio líquido que servia de base à lente.
O conjunto foi modernizado em 1883, passando a operar com energia elétrica gerada por um dínamo fabricado pela empresa francesa "La Maison Soutter et Lemunier".
Em 1907 foi instalada a estação pluviométrica e, em 1909, uma estação telegráfica, além de um pequeno guindaste para o abastecimento da ilha. Nesse mesmo ano, em outubro, o antigo sistema elétrico foi substituído por um aparelho de iluminação incandescente a petróleo, fabricado pela "Maison Barbier, Bernardo e Turenne". Esse sistema encontra-se em perfeito estado até aos dias de hoje. Uma buzina foi instalada em 1913 e, em 1947, um radiofarol para apoio à navegação aérea.
Em nossos dias o farol opera com um motor elétrico de 0,5 hp. Para os casos de emergência, ainda se mantém em reserva o antigo equipamento.
Fonte - Wikipédia

Mais um porto escolhido para sediar a Volvo Ocean Race 2011-12



Quarta-feira 24 de março de 2010, 16:30 GMT
Miami volta a sediar o circo da  Volvo Ocean Race. Hospedará o começo da perna transatlântica para Lisboa na edição 2011-12 do evento.

terça-feira, 23 de março de 2010

Programação da Class-one no Rio de Janeiro




Sobre o Evento


(Pelo que já vi no percurso, teremos uma reta na Praia do Flamengo e outra próxima a pedra do morcêgo em Niterói)

Como já noticiei aqui, o Rio de Janeiro irá sediar pela primeira vez no Hemisfério Sul uma etapa do Class-1 Power Boat Championship – o Grande Prêmio Brasil Class 1.

O evento acontece de 26 a 28 de março de 2010 na Marina da Glória e será o primeiro de um contrato de 10 anos de exclusividade para organização da prova no Brasil envolvendo o Rio Tur, a agência de comunicação integrada Aktuell e o Grupo EBX, de Eike Batista. O Class-1 Power Boat Championship – Grande Prêmio Brasil Class 1 – abrirá o Campeonato Mundial da categoria este ano e será o primeiro grande encontro esportivo de relevância internacional no Rio de Janeiro após o anúncio da cidade como sede dos Jogos Olímpicos de 2016.

A expectativa é que 1 milhão de pessoas possam acompanhar de perto as corridas e treinos a partir do Aterro do Flamengo. A Marina da Glória irá abrigar toda a infraestrutura do Class-1 no Brasil: camarote para até 2000 pessoas, área VIP, lojas, restaurantes, bares e uma boate fazem parte do complexo que une esporte e entretenimento.

A competição consiste em uma série de treinos livres classificatórios e duas corridas: uma no sábado e outra no domingo. A Rede Globo de Televisão e a SporTV são parceiras na transmissão e cobertura do evento. A semana que antecede o evento no Rio será marcada por uma série de atividades promocionais e de envolvimento com a população carioca – inclusive, com a Boat Parade, um desfile pela orla de Copacabana com as lanchas de corrida, marcado para acontecer no dia 21 de março, aproximando o público dessas fantásticas máquinas que chegam a mais de 270 km/h.

Programação

Sexta, 26 de março
09h30 17h30 Funcionamento do evento
09h30 11h00 Treino livre
11h00 11h30 Briefing para equipes
12h30 13h30 Treino Oficial – Etapa 1
14h30 15h30 Treino Oficial – Etapa 2
15h30 17h00 Dj Lounge Class-1

Sábado, 27 de março
09h30 17h30 Funcionamento do evento
09h30 10h00 Treino livre
10h00 10h30 Treino Oficial
10h45 11h30 EDOX Pole Position
14h30 INICÍO - Grande Prêmio Brasil (Corrida 1)

Após o término Premiação de Podio
15h30 17h00 Dj Lounge Class-1

Domingo, 28 de março
09h30 17h30 Funcionamento do evento
09h30 10h00 Treino livre
10h00 11h30 Treino Oficial
14h30 INICÍO - Grande Prêmio Brasil (Corrida 2)
Após o término Premiação de Podio
15h30 17h00 Dj Lounge Class-1

domingo, 21 de março de 2010

Técnicas de fundeio

Saber fundear uma embarcação corretamente parece fácil, mas se não soubermos algumas técnicas de segurança, podemos viver momentos difíceis a bordo ou até mesmo perder nossa embarcação. Existem na literatura vários textos explicativos sobre o assunto. No entanto, vale a pena lembrar não é? Eu li este artigo em um site e duas das três técnicas descritas já foram usadas por mim em um fundeio na Ilha de Paquetá, RJ onde entrou um Noroeste daqueles. O veleiro na época era um Velamar 24 (Conto de Areia), ele apenas caturrava muito mas não saiu do lugar. Ainda, as marinas deveriam levar em conta estas tabelas abaixo na hora de fabricarem as poitas. Espero que leiam pois é importante. Abrçs, Luís.

Eram 80 nós de vento, ondas enormes e “voando” uns por cima dos outros. Mesmo assim, o veleiro Guruça, de Fausto Pignaton, sobreviveu ao Luís, um dos mais destruidores furacões da história do Caribe. Esta história, contada em Náutica 92, gerou um grande número de cartas para nossa Redação. Os leitores queriam detalhes técnicos sobre como o velejado brasileiro salvou seu barco e também indagavam sobre o jeito certo de fundear durante uma “pauleira”. Assim, decidimos pedir a Fausto que revelasse sua tática (veja quadro) e explicar, ainda, o que fazer quando a ventania chega.

Antes de qualquer coisa, é preciso ter em mente que os barcos foram feitos para navegar, e não para ancorar. Sim, pois se você for apanhado por uma tormenta daquelas cinematográficas, a melhor coisa a fazer é levar seu barca para alto-mar – não importa o quanto sua mulher, filhos e amigos reclamem. Explica-se: as tempestades brasileiras, feliz-mente, estão bem longe de ser furacões. Assim, desde que você se mantenha atento no leme, as ondas e o vento podem, no máximo, assustar e marear a tripulação. Em contrapartida, uma aproximação de terra em circunstâncias difíceis muitas vezes leva a um trágico encalhe.

Se, no entanto, você já estiver sob a pseudoproteção da linha da costa e pretender fundear – para passar uma daquelas memoráveis noites contando os segundos enquanto espera o dia raiar –, vale a pena observar alguns fatores de segurança. Em primeiro lugar, é bom entender que duas forças agem sobre o barco. Uma delas é obra da natureza, especifica-mente do vento ou da corrente. É a força impulsiva, que empurra o barco para onde Netuno quiser. A outra é resultado de uma boa âncora, empregada por um marinheiro ' esperto – no caso, você. Esta se chama força retentiva. Com o barco à deriva, a Força Impulsiva depende da velocidade do vento, da área vélica do barco (e atenção: este termo vale tanto para veleiros quanto para lanchas e navios, ainda que estes últimos não tenham velas propriamente ditas), da corrente no local, da energia cinética do barco (caso esteja manobrando velozmente) e até mesmo das ondas.

Um vento de 15 nós (considerando que o barco esteja fundeado em local com um certo abrigo) faz uma força de 80 kg em um barco de 50 pés (veja quadro na seqüência). Porém, se o vento for de 50 nós (equivalente a uma tempestade de pequena intensidade), o esforço sobre o barco quadruplica, ou seja, é de 520 kg. Por isso, procure um bom local para fugir da “pauleira”. E a nossa aliada, a Força Retentiva? Esta é conseguida graças à resistência causada pelo cabo de fundeio e sua âncora. E, é claro, ao tipo de fundo, fator que garante seu sono ou provoca insônia. Torça para existir uma areia das boas no lugar onde for ancorar durante o sufoco. Se ela existir, tudo o que você vai precisar é de um ferro que “agüente o tranca”. Aliás, dois ferros. Sim, pois o ideal é ter, no mínimo, duas âncoras de peso apropriado, e não esquecer de amarrar a segunda. Entretanto, tome cuidado para não "esconder” a âncora: por ser grande e desajeitada, o ferro é muitas vezes guardado no fundo do porão, sob sacos de velas e todas as tralhas imagináveis. Na hora da “pauleira” isso faz diferença.

Com duas boas âncoras, cabos em perfeito estado e corrente adequada, tudo que você vai precisar para sair do sufoco é de paciência e conhecimento das três manobras principais de fundeio: à galga, a pé-de-galo e, simplesmente, a dois ferros. Mas, antes de falar delas, convém esclarecer p modo certo de jogar a âncora.

Muita gente acha que “amarra” significa “a corrente”. Pode até ser, mas o ideal – sobretudo para quem não tem experiência – é que a amarra seja um conjunto de corrente e cabo. Explica-se: ainda que os elos de metal sejam mais resistentes, é bom ter cabos de náilon na amarra para que se possa sentir se a âncora unhou, e, além disso, torna a amarra mais elástica (absorvendo os choques das ondas). Afinal, é muito mais fácil perceber a tensão num cabo do que numa corrente. E isso não compromete a segurança? A resposta é “não”, pois a maioria dos problemas de fundeio ocorre em função de ferro garrando (arrastando pelo fundo). Os casos de rompimento são raros.

Por isso, não “decore” o fundo do mar com metros de corrente. É melhor ter um cabo, para sentir na mão o momento em que o barco “porta pela amarra”, ou seja, afila a proa em direção ao vento, com a âncora unhando ao fundo. Isto feito, basta largar a quantidade de cabo necessária para completar no mínimo cinco vezes a profundidade do local e dar um toque com motor à ré, para conferir se a âncora está segura. Lembre-se que quanto maior o comprimento do cabo (o chamado filame), mais a âncora unha no fundo.

Mas não adianta saber quando os ferros unharam se você não tiver idéia de quantos deles jogar e em que posição. Agora, sim, é hora de falar dos três tipos de ancoragem. O mais seguro numa tempestade é o fundeio à galga. Ele consiste em largar uma amarra com duas âncoras: uma na ponta e outra a alguns metros da primeira, presa por uma manilha (veja ilustração). O único problema deste tipo de fundeio é peso: se você não tiver um bom guincho a bordo, precisará de um marinheiro halterofilista na hora de largar ou trazer as âncoras de volta. o pé-de-galo, por sua vez, está mais para uma precaução do que para um tipo de fundeio. Acontece quando você já está ancorado e, com medo do vento, decide soltar uma segunda âncora – independente da primeira. Ela só vai ser acionada se a primeira garrar. Nesse caso, o cabo da segunda âncora vai se esticar, avisando que algo não vai bem.

Você, então, deve soltar um pouco o cabo dessa segunda amarra para formar um sistema de fundeio

com as duas âncoras. Simples, não? Tão simples quanto essa manobra é, finalmente, a de amarrar a dois ferros. Considerado quase tão seguro quanto o fundeio à galga, nada mais é que jogar dois ferros com o mesmo filame e suas respectivas amarras, formando um ‘V “com aproximadamente 50º de ângulo. Por que? Pois isso distribui melhor o esforço, reduzindo a fadiga de todo o equipamento”.

Para quem acha isso um exagero de precaução, vale lembrar uma máxima entre os marinheiros: “Quem tem dois, na verdade tem só um. E quem tem um, não tem nenhum!”

Retirado de: http://www.navegarebom.com.br/

quarta-feira, 17 de março de 2010

Vai ter Árabe na Volvo Ocean Race 2011-12

Segunda feira, 15 de março de 2010
Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, abriu novas perspectivas para a Volvo Ocean Race por ser confirmada campo da primeira escala no Oriente Médio na História do evento.
Um barco de Abu Dhabi também vai tomar o seu lugar na linha de largada da corrida 2011-12 em Alicante, Espanha.
O acordo foi assinado entre sua Exelência Mubarak AL Muhairi que é o diretor-geral do Abu Dhabi Tourism Authority (CIDA) e o CEO da VOR Knut Frostad.
Ele disse: "Nós encontramos em Abu Dhabi uma sinergia incrível", "Este destino tem uma longa história marítima, que pretende elevar para uma nova era ao comemorar as conquistas do passado"

terça-feira, 16 de março de 2010

Eike Batista, traz F1 dos barcos ao Brasil


"Etapa nacional do evento está orçada em R$ 12 milhões"
Apaixonado pela corrida Class 1, de barcos de velocidade para mar aberto, o empresário Eike Batista adquiriu os direitos de realização do evento no Brasil. O investimento não foi divulgado, mas a etapa nacional está orçada em R$ 12 milhões.
A etapa brasileira da competição está marcada para acontecer entre os dias 26 e 28 de março de 2010, na Marina da Glória, no Rio de Janeiro. A produção da etapa está a acordo da agência Aktuell, de Rodrigo Rivellino, filho do craque Roberto Rivellino.
O Brasil vai sediar a única etapa da América, continente que receberá a competição pela primeira vez. Hoje, o Class 1 acontece na Noruega, Emirados Árabes (Dubai e Abu Dhabi), Itália, Romênia e Qatar, envolvendo onze equipes.
Em edições anteriores (o campeonato acontece desde 2004), países como Rússia, Grécia, Inglaterra, Portugal e Egito também sediaram etapas.
A disputa é exibida em 54 países e, no Brasil, contará com a parceria de transmissão da Rede Globo."

quinta-feira, 11 de março de 2010

Volvo Ocean Race - Notícias

Galway (Irlanda) foi selecionada como o porto final para terminar a corrida 2011-12.
"Já experimentamos o entusiasmo antes na Irlanda e estamos ansiosos para trazer a competição para a sua conclusão em um país que realmente sabe como comemorar"
"Tenho muito orgulho em confirmar a participação da Irlanda, Galway é um porto magnífico para a fase final do evento ", disse o CEO da Volvo Ocean Race "Knut Frostad".
É isso aí...enquanto isso...esperamos para ver se estaremos nesta festa também!

terça-feira, 9 de março de 2010

Você não sabia, mas no Jurujuba possuimos relíquias históricas
















Estas imagens lembram alguma coisa para você...?

Para quem chega do mar, em frente ao pier 2 do Jurujuba Iate Clube em Niterói -RJ, ou até mesmo para quem anda sobre as madeiras do píer, pode contemplar uma construção muito interessante. Trata-se da réplica da torre de comando de um grande navio que naufragou em nossa águas, nossas mesmo pois foi muito pertinho daqui. Ali também, bem na parte coberta, existe um sino que badala de vez em quando. É só se esticar um pouquinho que dá. Possui uma inscrição no corpo com o nome de uma mulher.

Trata-se do sino, ou melhor, a alma do "Magdalena"




























Esta vigia está até hoje na boate do Jurujuba


O que está postado abaixo foi retirado deste site: http://www.novomilenio.inf.br/rossini/magdale2.htm
Quem se interessar eu recomendo ler tudo. É muito rico em detalhes.

Em agosto de 1939, a armadora britânica Royal Mail Line anunciou, através do seu serviço de Imprensa de Londres (Inglaterra), a próxima entrada em serviço de seu novo transatlântico, de 26 mil toneladas de arqueação bruta (tab), o Andes. Destinado a servir a Rota de Ouro e Prata, o navio deveria realizar sua viagem inaugural para o Brasil e o Prata, zarpando de Southampton, Inglaterra, em 26 de setembro de 1939. Esta data não havia sido escolhida ao acaso. Ela marcava exatamente o aniversário do centenário de fundação da Royal Mail pelo espírito empreendedor de Scot James MacQueen.

A ocasião, portanto, deveria celebrar ao mesmo tempo dois grandes acontecimentos: os cem anos da armadora e o início da viagem inaugural de seu mais novo navio. O destino, porém, não quis assim. A invasão da Polônia pelas tropas da Wermacht em 1º de setembro e subsequente declaração de guerra, entre a Grã-Bretanha e a França de um lado e a Alemanha do III Reich do outro, anularia a prevista entrada em linha do Andes. O transatlântico, ao invés de partir para o Atlântico Sul, foi imediatamente recolhido ao seu estaleiro construtor, para os trabalhos de conversão em navio de transporte de tropas.

A II Guerra Mundial (1939-1945) envolveria todos os 31 navios da frota da Royal Mail, direta e indiretamente. Vinte e um destes seriam afundados no decurso do conflito, com a perda total de 200 homens. Entre este navios perdidos, encontrava-se o Highland Patriot, originalmente construído para o Nelson Line e que foi atacado em outubro de 1940, ao largo da costa irlandesa, pelo submarino alemão U-38.
Pós-guerra - Terminado o conflito mundial, em agosto de 1945, a Royal Mail só possuía dez navios, desgastados pelo uso excessivo e precária manutenção. Recondicionar a sua tonelagem tornou-se a palavra de ordem prioritária da armadora, mas ao mesmo tempo era necessário projetar novos navios para construção.
Em 1946, para substituir o desaparecido Highland Patriot e injetar nova tonelagem no serviço para a costa leste da América do Sul, a Royal Mail passou ordens ao seu tradicional estaleiro construtor, o Harland & Wolf, de Belfast, para a fabricação de um navio de passageiros de 7 mil t.a.b. (toneladas de arqueação bruta) e capacidade mista, de passageiros e carga. O novo transatlântico receberia o nome de Magdalena, denominação esta de uso tradicional da armadora, pois em 1851 e em 1889 dois de seus navios também haviam recebido o mesmo batismo.
A primeira trave da quilha da obra nº 1.354 foi colocada na rampa de construção em agosto daquele mesmo ano mencionado. Em vista, porém, da enorme escassez de materiais de todo gênero no Reino Unido, foram necessários dois anos para que o novo navio fosse lançado ao mar (11/5/1948) ou quase três anos para que pudesse ser completado.
Homenagem - Quando, em 9 de março de 1949, o recém completado Magdalena foi apresentado publicamente, após a realização de suas provas de mar, todos tiveram a impressão de que a armadora tivesse realizado uma homenagem ao seu próprio passado. Visto de perfil, o transatlântico apresentava a tradicional superestrutura dividida em duas partes, marca registrada de todos os grandes navios da série A construídos por ordem da Royal Mail entre 1906 e 1914.







Na parte da proa, a três quartos desta, erguia-se a estrutura em cujo topo encontrava-se a ponte de comando e, nos conveses inferiores, os alojamentos dos oficiais mais graduados e seus escritórios. Entre estrutura e a parte central do navio, encontrava-se uma separação que correspondia, a nível do casco, ao porão número 3. Na parte central do transatlântico, dominada por uma única chaminé de forma ligeiramente arredondada, encontravam-se todas as áreas sociais, de acomodação e serviços dos passageiros de primeira classe.
Os conveses do Magdalena eram nove ao todo, denominados (de cima para baixo): da observação, dos botes, do passeio, da ponte, da cobertura superior, principal, inferior e de máquinas. Transversalmente ao casco existiam oito bulkheads (paredes divisórias dos compartimentos de navio) que o isolavam em nove grandes compartimentos que, em caso de alagamento de um deles, se tornavam estanques, através do fechamento de suas grandes portas automáticas.
O maquinário de propulsão do navio era construído por duas turbinas de dupla redução acopladas a dois eixos de hélice que produziam 18 mil cavalos-vapor, proporcionando à massa estrutural deslocamentos a 18 nós, com 85 rotações por minuto. Completando-se esta sintética parte de informações de ordem técnica, ressalva-se que o equipamento de navegação era de primeira ordem e o que de mais moderno existia na época da construção: bússolas giratórias e magnéticas, ecobatímetro, piloto automático e um Metropolitan Vickers Seascan, radar com alcance máximo de 27 milhas e posições de leitura intermediárias.

Conforto moderno - De proa inclinada, popa do tipo cruzador, onde, além de seu nome, levava o de London (Londres) como porto de registro, o Magdalena foi desenhado com linhas bem equilibradas, modernas e de bom gosto. Assim também eram os seus interiores, equipados com todo o conforto do primeiro período pós-bélico, inclusive ar condicionado em todas as instalações da primeira classe; seus 133 passageiros da classe superior possuíam cabinas individuais ou duplas situadas nos conveses de passeio e da ponte, enquanto os 347 da terceira classe eram alojados em cabinas de duas, quatro, oito ou dez camas, todas dispondo de lavabo.








O estilo da decoração predominante era o moderno pós-guerra, com móveis retos e funcionais, grandes espelhos, profusão de metais prateados e uso intensivo de carpetes, ao invés de tapetes.
O vasto salão de jantar principal, que atravessava a largura total do navio e que podia acomodar 165 pessoas, fora decorado com painéis laterais de madeira nobre, em cor salmão e creme, e possuía grandes espelhos, que ampliavam a sensação de espaço. O salão para fumantes da primeira classe constituía uma exceção ao modernismo do Magdalena, pois fora desenhado e decorado no estilo campestre alpino, de gosto um pouco kitsch, referente ao Tirol austríaco. O transatlântico possuía, na parte posterior do convés do passeio, uma piscina ao ar livre, completada por um bar-café do tipo Lido.

Era dotado também das outras tradicionais instalações e áreas públicas, tais como biblioteca, salão de leitura, ginásio esportivo, salão de jogos para crianças, dois pequenos hospitais, para sexos diferenciados, e ambulatório de consultas, servido por três médicos, que atendiam os passageiros e tripulantes nos três idiomas maternos de cada um, ou seja, um médico que falava inglês, outro em espanhol e um terceiro, o português.

Viagem única - No dia 9 de março de 1949, o navio largou os grossos cabos de amarra das docas King George V, em Londres, Inglaterra, com destino ao Rio da Prata, via portos intermediários. Quis o destino, porém, que o transatlântico nunca mais voltasse às águas do Rio Tâmisa, pois afundaria na viagem inaugural.

A armadora britânica Royal Mail, ao longo de sua história, já havia sido castigada duas outras vezes pela ação da má sorte, por ocasião de viagens inaugurais: em 1852, o seu vapor Amazon, de madeira e rodas de pá, de 2.256 toneladas, fora vítima de um incêndio fatal, no qual pereceram 104 pessoas, entre passageiros e tripulantes; em 1917, o recém completado Brecknockshire foi capturado pelo corsário alemão Möwe e destruído.

O transatlântico Magdalena, após realizar travessia em direção Sul (onde escalou em Santos em 25 de março de 1949), reiniciou a viagem de retorno à Inglaterra, zarpando de Buenos Aires, Argentina, em 18 de abril, escalando em La Plata e Montevidéu antes de alcançar Santos. O porto santista seria o único porto brasileiro a registrar duas escalas do novo transatlântico, já que este jamais alcançaria de novo o píer da Praça Mauá, no Rio de Janeiro.
Na tarde de 24 de abril, o Magdalena, tendo como prático Constantino Azevedo, desatracou do cais do Armazém 17 da Companhia Docas de Santos (CDS) levando a bordo cerca de 350 passageiros e 230 tripulantes. As suas próximas escalas previstas na viagem ao Norte seriam Rio de Janeiro, Salvador, Las Palmas, Lisboa, Vigo, Cherburgo e Londres.

SOS - Às 4h50 do dia 25, a estação de rádio do Arpoador, no Rio de Janeiro, captou um sinal de SOS, transmitido pelo navio de passageiros Magdalena. No sinal de socorro, informava-se que o Magdalena havia ido de encontro a rochedos da costa em uma posição aproximada de seis milhas ao Sul da Tijuca, na costa do Rio. O Ministério da Marinha, devidamente alertado, providenciou o envio de dois rebocadores de alto-mar, o Tritão e o Tenente Cláudio, e de outros navios auxiliares, enquanto a agência marítima da Mala Real no Rio expedia o rebocador Saturno.
Quando essas embarcações procedentes do Rio de Janeiro chegaram ao local, já se encontrava o cargueiro nacional Goiazloide de prontidão para qualquer emergência. O Magdalena encontrava-se encalhado nos rochedos submersos que formam uma ponta mar adentro, ao Sul das Ilhas Tijuca, a cerca de 300 metros da Barra. Com o casco arrombado, o porão nº 3 fora inundado e, apesar de serem acionadas as bombas de bordo, foi impossível esvaziar o compartimento o corrigir o adernamento fortemente visível.

O comandante do Magdalena, Douglas Lee, velho lobo-do-mar, com 40 anos de navegação, providenciou a guarnição de botes salva-vidas, esperando pelo pior, e, mais tarde acatando sugestões do Comando Naval do Rio de Janeiro, deu ordens para evacuação dos passageiros. Acercaram-se, assim, os rebocadores do navio sinistrado, recebendo muitos passageiros deste e levando-os para serem desembarcados nas ilhas Cobras e Flores.
Reboque - Na madrugada do dia 26 de abril, cerca de 2 horas, com a maré enchente, o Magdalena desprendeu-se sozinho das pedras onde estava encalhado, sendo em seguida fundeado nas proximidades da Ilha Pontuda, pertencente ao arquipélago das Tijucas. Por resolução e solicitação do comandante Lee, foi iniciado um reboque do navio por volta das 8 horas pelos rebocadores Triunfo, da Marinha de Guerra, e Comandante Dorat, da estatal Companhia de Navegação Lloyd Brasileiro.

Porém, em virtude do fato de estar abicado e adernado e devido ao mar grosso e vento forte, o reboque foi sendo feito com dificuldades, à velocidade de três nós. Por volta das 12 horas, pressentiu-se a bordo que a qualquer momento o navio poderia partir-se em duas partes, razão pela qual, já nas proximidades da Ilha Cotunduba, foi abandonado pela tripulação, ficando a bordo apenas o comandante, um tripulante e o prático-mor do Rio de Janeiro, Antônio Gonçalves Carneiro, que estava a bordo quando o casco se partiu. Os demais tripulantes embarcaram nos escaleres do navio e dirigiram-se para bordo dos dois rebocadores e do caça-submarinos Guaiba, que auxiliava nos serviços.
A despeito do perigo, o reboque continuou, com o navio sendo acossado por fortes ondas, que o faziam mergulhar de proa, que ficava quase submersa, voltando com dificuldades à superfície. Aproximadamente às 14 horas, o navio girou de lado, com o afrouxamento do cabo, ficando com a proa virada na direção da Fortaleza de São João, em Copacabana.
Estando, porém, o porão 3 - a meia nau - totalmente alagado a esta altura, o Magdalena permaneceu durante algum tempo ainda sendo rebocado, até que, em dado momento, partiu-se ao meio, em frente à Praia do Leme, na zona sul da Cidade do Rio, onde milhares de curiosos observavam dos edifícios.

A separação ocorreu na altura do porão 3, isto é, na intersecção do primeiro com o segundo quarto casco. A parte menor fragmentada, a proa, empurrada pelas correntes marítimas e pelo vento, derivou para o Sul até encalhar nas proximidades das Ilhotas Pai e Mãe, onde permaneceria três dias, sendo subseqüentemente, afundada a dinamite. A parte maior remanescente (meia nau e popa - ré) foi encalhada propositalmente na Praia do Imbuí, entre a ponta do mesmo nome e a Ponta das Ostras, nas proximidades da Fortaleza de São João de Niterói, ali permanecendo durante muito tempo, antes do desmonte.










Bagagem salva - Na popa, felizmente para os passageiros, encontrava-se a bagagem e providenciou-se, assim, o transbordo de 200 toneladas de malas, que foram transportadas para o Rio em 29 de abril de 1949. Havia a bordo - e foi considerada perdida - carga de 25 mil caixas de laranja, embarcadas em Santos, bem como 2,8 mil toneladas de carne refrigerada argentina. O valor total de seguro do navio e sua carga montava a cerca de 2,5 milhões de libras esterlinas.
Um taifeiro contou, após o desembarque no Rio, que o comandante Lee dormia na ocasião do encalhe e, ao chegar à ponte de comando depois de ter sido avisado, exclamou, com fisionomia transtornada: "Senhor imediato, o que senhor fez do meu navio?". A mesma pergunta foi repetida pelo representante da armadora Royal Mail, em setembro de 1949, quando se iniciou o inquérito formal nas cortes de Justiça do Reino Unido.

Nunca mais - Ao cabo do processo, passou-se a sentença, que apontou "... a grave negligência do comandante no decurso de uma manobra de aproximação perigosa a um porto de escala". O comandante Lee teve o certificado de comando retirado por dois anos e o imediato, que se encontrava na ponte como responsável pelo navio no momento do encalhe, foi suspenso das funções por um ano.
O irônico desta triste história da perda do Magdalena foi o fato de que a direção da Royal Mail havia decidido oferecer o comando de sua novíssima embarcação ao capitão Lee (então com 60 anos de idade e quatro décadas de navegação na sua honrosa folha de serviço, que incluía missões navais) como prêmio antes de ele se aposentar, fato que aconteceria após o retorno do transatlântico à Inglaterra.

Após ter perdido seu terceiro navio com o nome de Magdalena, a Royal Mail jamais voltou a utilizar tal denominação e o comandante Lee jamais voltaria ao passadiço de comando de qualquer outro transatlântico.

Magdalena:
Outros nomes: nenhum
Bandeira: britânica
Armador: Royal Mail
País construtor: Irlanda
Estaleiro construtor: Harland & Wolf (porto: Belfast)
Ano da viagem inaugural: 1949
Deslocamento (toneladas): 17.547
Comprimento: 173,8 m
Boca (largura): 22,3 m
Velocidade média: 19 nós
Propulsão: turbinas a vapor, com 19.800 hp e 2 hélices
Tripulantes: 224Passageiros: 479Classes: 1ª - 133 3ª - 346
Artigo publicado no jornal A Tribuna de Santos em 17 e 31/3/1996


Nota: Máquinas do navio, resgatadas, foram vendidas e durante muitos anos serviram como unidade termoelétrica, gerando eletricidade para a cidade de Manaus. Outros objetos salvos serviram para ornamentar o salão do Jurujuba Iate Clube de Niterói. Nos trabalhos de resgate do casco duas chatas naufragaram. Até a década de 1970 uma bóia com sino demarcava o local do naufrágio avisando os navegantes da obstrução. Muitas histórias e lendas foram contadas a partir daí sobre o naufrágio do Magdalena.
Retirado de http://oglobo.globo.com/rio/bairros/gueiros/posts/2009/08/23/o-naufragio-do-magdalena-216200.asp

OBS: "Depois do acidente com o transatlântico Magdalena, a armadora britânica Royal Mail desistiu de batizar navios com tal nome. O primeiro foi construído em 1851, o segundo em 1889 e o terceiro, em 1948. O terceiro e último Magdalena foi lançado ao mar em 11 de maio de 1948, quando começou a fase de testes. Ele iniciou a viagem inaugural em 9 de março de 1949."

Pois é...e ainda batizam os barcos com nomes de mulheres...

Veja informações mais direcionadas ao mergulho neste site:

http://www.naufragiosdobrasil.com.br/naufmadalena.htm
Aqui você achará informações muito detalhadas sobre a grande maioria dos naufrágios conhecidos da costa Brasileira. Produzido e atualizado pelo mergulhador Mauricio Carvalho.

quarta-feira, 3 de março de 2010

"Vive la France!!" Volvo Ocean Race 2011-12

Mais uma cidade escolhida!!
A França está de volta na rota da Volvo Ocean Race com a confirmação de Lorient como uma escala para as próximas duas edições do evento. O porto francês será a penúltima escala para a corrida de 2011-12.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Lisboa - Novo porto da VOR 2011-2012

Lisboa foi escolhida como o primeiro dos portos europeus para a corrida de 2011-12. Será a primeira vez que o histórico porto Português acolhe uma escala. Lisboa, situado no oeste de Portugal, será o fim da perna transatlântica da corrida durante o verão de 2012. Foram 34 cidades interessadas em sediar a corrida na Europa das quais 15 passaram para a fase final do processo de licitação. A Europa foi, de longe, o continente mais competitivo do processo de seleção.

Veleiros com armação em Cutter (o que é isso?)


Ocorre muitas vezes, principalmente na sociedade portuguesa, o facto de pessoas menos ligadas ás coisas do mar, referirem-se a todo e qualquer veleiro como sendo "caravelas". A questão é que o nome "caravela" distingue apenas um género de veleiro muito peculiar, a famosa embarcação que levou os navegadores portugueses do séc. XV na aventura dos Descobrimentos. Todos os veleiros possuem uma denominação característica. Normalmente é o aparelho vélico que define o nome de cada veleiro. Se um veleiro tiver apenas uma vela chamada grande e nenhuma vela de proa, chamar-se-á "catboat"; se tiver uma vela grande e uma vela de proa toma o nome de "sloop" se continuar a ter uma vela grande mas se tiver duas ou mais velas de proa já não se chamará "sloop" mas sim "cutter". Importa referir que os veleiros atrás citados apresentam apenas um mastro. Cutter é uma denominação ainda usada por questões históricas na Marinha dos Estados Unidos da América relativamente aos actuais navios da Guarda Costeira pois os veleiros que antigamente faziam a fiscalização das águas territoriais eram chamados exactamente cutters, de sua designação U.S.C.G.C. - United States Coast Guard Cutter. Na imagem podemos ver um cutter norueguês subindo o rio Elba rumo a Hamburgo para o final da regata de grandes navios veleiros, Cutty Sark Tall Ships Race de 1989 entre Londres e Hamburgo.
Retitrado de :